CHAPA CONSTRUINDO UMA NOVA BAHIA E UM NOVO BRASIL
A tese apresentada ao diretório municipal do Partido dos Trabalhadores de Vitória da Conquista pela chapa “A Esperança é Vermelha” traz formulações que exigem de todos nós, militantes petistas, uma demorada reflexão, especialmente por se tratar de texto-guia cujo objetivo seria apresentar as perspectivas de determinado agrupamento político para o conjunto do partido.
A tese, em tese, deveria traçar metas norteadoras em relação aos objetivos gerais do nosso partido; para-além do aspecto estritamente eleitoral e a necessidade que a todos nós parece óbvia – de dar manutenção ao projeto político-administrativo petista em Conquista –, dever-se-ia apresentar orientações para nossa atividade partidária, como diretrizes para a consolidação regional do partido, fortalecimento da militância, ampliação dos canais de comunicação com a sociedade e os modelos de interlocução entre o partido e os governos.
É evidente que um dos objetivos primordiais de qualquer partido político é alcançar o poder, por meio do qual consolidam-se ações capazes de transformar a sociedade – vide o caso do presidente Lula, que vem promovendo uma verdadeira revolução social no Brasil. Mas, antes disso, é necessário que o partido seja(esteja) suficientemente organizado para dar impulso às transformações; é necessária uma militância politicamente articulada e organizada para participar conscientemente do projeto; é preciso que a sociedade reconheça suas lideranças a partir do partido (e não o inverso).
Mas também é evidente para qualquer cidadão brasileiro, minimamente militante dos movimentos sociais e políticos, que o Partido dos Trabalhadores tem uma particularidade que o diferencia imensamente das demais agremiações partidárias: sua capacidade de promover a transformação social mesmo quando desprovido do poder de governo. Nossas lutas, entre as quais se incluem a redemocratização do Brasil, impulsionaram mudanças significativas na mentalidade política brasileira porque sua militância aguerrida ocupou privilegiados espaços sociais para promover o debate consciente e aberto.
Com base nas idéias acima enumeradas, é que destacamos algumas questões abordadas pela chapa “A Esperança é Vermelha” e que merecem reflexão e debate:
1. Ao que tudo indica, o único objetivo da chapa é impor o nome de um único companheiro do agrupamento político (citado 18 vezes no texto) para as disputas eleitorais de 2008, objetivo que passaria, então, pela eleição, no PED do dia 2 de Dezembro, da companheira Suzana Ribeiro (apenas uma vez citada no texto) à presidência do partido. Ora, parece que nossos companheiros estão transformando o PED na ante-sala das prévias que ainda nem se sabe se serão realizadas, vez que o partido poderá seguir unido na definição de um nome para as próximas eleições.
2. Predomina no texto uma lógica que parece querer confrontar um discurso que, até onde se sabe, jamais existiu: quem, em Conquista, tem manifestado contrariedade a este ou aquele nome do PT para as eleições de 2008? Em que espaços ocorrem tais manifestações? São posições defendidas publicamente ou em conversas isoladas? Que “importante filiado” do PT manifestou interesse em filiar-se ao PMDB? Que filiado do PT não é importante e por quê? Quais os critérios para definir o “candidato preferido da população”? Cabe esta indagação porque, com base nesse princípio, o atual prefeito José Raimundo Fontes – cujo governo entrará para a história da Bahia como um mais eficientes e progressistas – sequer teria sido lançado a candidato em 2004, quando as pesquisas apontavam para um cenário francamente desfavorável. Naquele momento, prevaleceu a força de uma militância extremamente organizada e que reconheceu em José Raimundo a figura capaz de liderar um processo que definiria os rumos da cidade, processo que teve força também para garantir a vitória do companheiro Wagner no quadro estadual.
3. Há uma contradição ainda a ser explorada no texto: a chapa faz alusão à auto-suficiência daqueles que estariam minimizando a força da oposição nas eleições de 2008, e apresenta (para nossa salvação), ao que parece, o único “nome forte” capaz de fazer o enfrentamento eleitoral e assegurar o controle do governo. Não seria também auto-suficiente esta afirmação? Não seria também subestimar a força dos próprios aliados? O governo do professor José Raimundo Fontes e suas históricas realizações não seriam suficientes para demonstrar à população a necessidade de manutenção de um projeto vitorioso?, projeto do qual fazem parte todos os agrupamentos políticos do PT. Em suma, embora se deva admitir a humildade em todas as nossas ações, públicas ou particulares, o texto não estaria criando um cenário irreal, um fantasna nas eleições de 2008 para tornar imprudente até mesmo a suposição do debate interno acerca dos nomes a serem pensados para a disputa?
4. Ao tratar das gestões petistas em Conquista, os redatores do texto souberam dar visibilidade a uma série de ações que transformaram as feições da administração pública em Vitória da Conquista e para cuja efetivação – necessário que se diga – foi necessária a intervenção inteligente de colaboradores que souberam entender o quão era imperioso demonstrar que o modo petista de governar é diferente e melhor. Mas, as ações históricas desenvolvidas pelo companheiro José Raimundo Fontes à frente do governo parecem não ter encantado tanto, até mesmo porque, o texto faz querer crer que tais obras teriam sido realizadas pelo governo do presidente Lula e não pelo prefeito, a partir inclusive da inteligência de seus técnicos. Mas mereceram dos companheiros ao menos uma nota de rodapé…
5. Há outra referência também a um companheiro cujo prestígio teria, segundo a tese, influenciado decisivamente nas grandes vitórias eleitorais do partido nos últimos anos, argumento que, se não despreza, ao menos torna secundária a significativa contribuição de militantes cuja ação predominou em momentos de intensos debates na sociedade; afinal, o partido é construído nas bases e candidato nenhum será eleito se desprezar a massa pensante que o compõe. Não se pode deixar de comentar que predomina na tese também a lógica segundo a qual está proibido o surgimento de novas lideranças no PT. O partido e seus militantes estariam condenados a gravitar na periferia de uma determinada personalidade. O consenso só funcionaria se atendendo uma lógica predeterminada e por imposição. Nada mais anti-petista que tais comportamentos, que parecem querer ressuscitar padrões de atuação política similares àquelas dos coronéis, segundo os quais toda postura indagadora será interpretada como afronta, não como proposição de debate.
6. Por fim, é preciso chamar atenção dos militantes para algo que está bastante óbvio: ao que parece, a chapa “A Esperança é Vermelha” prefere estabelecer uma discussão que tem como foco o culto a uma personalidade messiânica, chegando mesmo ao desplante de submeter a candidata à presidência do partido ao constrangimento de ser citada de forma superficial, quase que querendo mantê-la no anonimato. A nosso ver, o debate deveria trazer para as primeiras fileiras o pensamento e a história da candidata e suas metas para o fortalecimento do partido. É uma prática que rompe definitivamente uma tradição de disputa pautada em idéias e não em personalismos; mas, costuma-se dizer, cada um luta com as armas de que dispõe.
novembro 21, 2007
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